As Correntes — Capítulo 7 — Canudinho
O Jack quebra o primeiro, o Kim tira a arma do segundo. Depois eles se separam: um sobe, o outro desce.
O Kim não gosta de contar história. Então o Jack conta junto.
O Jack falou comigo enquanto eu ainda tava de costas. Devagar. Frio.
— Algum problema de eu dar mais um nesse cabra? Acho que só o braço não vai ser suficiente.
— Faz o que tu quiser. Vamos deixar o máximo deles comendo de canudinho.
— Canudinho enfiado direto na bunda — ele completou.
O Jack olhou pro cara.
Com calma. O cara gritava, xingava e olhava pro próprio braço mole, sem acreditar.
— Tu ouviu meu parça. Não leva pro pessoal.
E meteu o cano na boca dele.
Pá.
Na primeira o cara já foi pro chão. O Jack continuou batendo, firme, no mesmo ritmo, olhando pros outros enquanto batia.
O sangue descia. Os dentes pulavam.
Os outros tavam parados. Olhando nós dois. Sem entender.
Foi aí que começou de verdade.
— Tem arma aqui — eu falei. — Toma cuidado.
— Eu já vi — o Jack respondeu.
Um cara no fundo do bar, a mão no cós da calça.
O Jack correu direto nele. Passou por três no caminho sem parar.
Segurou a arma pelo cano e virou pra cara do dono. Quando você força o cano contra quem tá segurando, o pulso torce, e mão torcida não segura nada. O cara largou a arma.
Aí veio o cano do Jack.