Sonata de uma Briga — Capítulo 5 — O Círculo
Cercado pelos capangas do Arnold, Ryan trava, fecha os olhos e espera os golpes.
Ryan tem tudo. Menos uma manhã que não doa.
Eu virei. Já nem via mais os dois. Só via o monte de capanga vindo pra cima de mim. Travei, fechei meus olhos e esperei os golpes.
Aí uma mão pegou o meu ombro e me puxou pra trás com tudo. O moicano verde. O boné azul me segurou pra eu não cair e me pôs de lado. Não falaram nada. Mas alguma coisa ficou entendida.
Os dois entraram no meio do círculo.
— É o seguinte. — o moicano. — Vamos equilibrar pra ficar justo. Já que vai ser em equipe, a gente entra pro time do PET. E aí, quem vai ser o primeiro?
Deu pra ver todo mundo recuando. O grupo que tanto me humilhava, tanto se achava, tendo que encarar um poder maior — foram dando pra trás.
O Arnold gritava de ódio, mandando os capangas atacarem. Os capangas já conheciam bem os dois. Sabiam que não davam conta.
— Então beleza. — o boné azul. — Vamos de simples e justo. One a One. Você, esquentadinho — pro Arnold —, e o PET. Briguem.
Eu fiquei sem saber o que fazer. Nunca briguei na vida.
— Quem vocês acham que são? — alguém do grupo. — Vocês não mandam aqui.
— Real, todo mundo é livre pra fazer o que quiser. — o boné azul, tranquilo. — O que significa que podemos fazer o que quisermos, né, Jack?
— Pois é, vocês queriam briga? Briga vai ter agora. — o moicano. — A gente não começou nada, mas se for preciso vamos terminar. Escolham: nós ou o PET.
A confiança com que os dois falavam. A sincronia. O jeito que se comunicavam sem combinar. Era como uma pessoa só dividida em dois corpos.
O círculo foi se abrindo. Um círculo de briga.
O grupo do Arnold empurrava ele pra frente:
— É só o PET, cara. O Ryan. Você dá conta dele. Melhor que todo mundo ter que brigar com esses dois aí?
O moicano verde abriu o sorriso pro Arnold.
— E aí, mano? Vai encarar seu PET? Não é você que disse que ia treinar ele bem? Então chegou a hora da lição.