Alan, o Campeão — Capítulo 11 — O Parque

Na volta de sempre pelo bairro, Alan encontra os dois de novo.

Antes de ser Rei, ele foi bucha de canhão, preso e assassino. Aos treze, mandava em adultos.

Umas duas semanas depois eu estava dando a minha volta pelo bairro.

Olhar o movimento. Ver se as bocas rendiam, se cada um estava no seu canto, se o trabalho saía como devia. Fazia duas semanas que estava tudo tranquilo, e tranquilo é raro no Morro.

Foi quando eu passei pelo parque.

"Parque" é força de expressão. É um terreno abandonado com dois brinquedos enferrujados, um deles sem metade do escorregador. Eu tinha até um plano de reformar aquilo — parque limpo faz mãe gostar de você, e mãe que gosta de você não deixa o filho conversar com a polícia.

E lá, no meio do terreno, estavam as duas pestes da minha vida.

Brigando. Um com o outro.

O indiozinho da primeira semana e o cabelinho verde da segunda.


Eu tinha tempo. Não tinha nada a ver comigo. Fui me encostar num muro pra me distrair um pouco.

No fim eu me distraí e ainda aprendi alguma coisa.

Ver os dois brigando era interessante de um jeito difícil de explicar. Era como se um preenchesse o buraco do outro.

O indiozinho estava no estilo afiado dele. Preciso, econômico, sem golpe jogado fora. O cabelinho verde estava relaxado, rindo, provocando o tempo todo.

— Você não vai me vencer. Eu que domino esse bairro.

Os moleques acreditavam mesmo em algumas coisas. Era engraçado de ver.


Crie sua conta grátis pra ler o resto deste capítulo.

English · Español