Alan, o Campeão — Capítulo 15 — Marcado

Enquanto os moleques crescem, a vida de Alan vira do avesso.

Antes de ser Rei, ele foi bucha de canhão, preso e assassino. Aos treze, mandava em adultos.

Enquanto os moleques cresciam, a minha vida virava.

Eu tinha dezesseis anos e dois anos de bairro nas costas. Tinha revitalizado meia dúzia de coisas, organizado o que era bagunça, feito o dinheiro subir todo mês sem falha. Do ponto de vista da cúpula, eu era um dos melhores investimentos que a Banca já tinha feito.

Do ponto de vista de todo mundo que eu passei por cima pra chegar ali, eu era uma conta em aberto.


Você não sobe do jeito que eu subi sem deixar rastro.

O Sombra tinha família. A Baixada que rachou tinha gente que juntou os cacos e passou dois anos descobrindo quem tinha começado aquilo. Os cobradores que eu apertei, os gerentes que eu passei pra trás, os donos de bairro vizinhos que perderam as bordas no meu plano — cada um desses guardou o meu nome.

E, ao contrário de mim, eles não tinham pressa.

Chegou um mês em que a cúpula me chamou lá em cima e falou sem rodeio: você virou alvo grande demais pra ficar. Ou some, ou a gente perde você e o bairro junto.

Eu não discuti. Aquilo não era castigo. Era conta. A mesma conta que a Banca fez quando me deixou de bucha no reformatório — só que dessa vez eu era o ativo, não o descarte, e ativo a gente protege.

Passei três semanas fechando tudo. Repassei o bairro pra dois subcomandantes de confiança, dividido no meio pra nenhum dos dois ficar forte demais e pensar besteira. Queimei o que precisava ser queimado. Me despedi de ninguém, porque despedida deixa rastro.


Eles já tinham tudo pronto.

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