Alan, o Campeão — Capítulo 16 — Não Há Regras
Alan sobe a laje e os dois já estão lá, esperando por ele.
Antes de ser Rei, ele foi bucha de canhão, preso e assassino. Aos treze, mandava em adultos.
Naquela segunda-feira de manhã eu subi a laje e os dois já estavam lá me esperando.
Antes de qualquer coisa, eu falei.
— Presta atenção. Essa é a última. Depois de hoje vocês não vão me encontrar mais. Não pergunta por quê.
O Jack abriu a boca pra brincar e, pela primeira vez em dois anos, fechou de novo sem falar nada. O indiozinho só apertou o maxilar.
Eles entenderam que era sério.
— Antes de começar, tem uma coisa que eu nunca perguntei pra vocês — falei. — Faz dois anos que a gente se encontra e eu nunca soube o nome de vocês. Pra mim vocês são o Indiozinho e o Cabelinho Verde. E de verdade?
O indiozinho respondeu como quem cospe o próprio nome.
— Kim.
O cabelinho verde deu um passo à frente, o sorriso de sempre.
— Meu nome é Jack. — Pausou. — Bom, meu nome não é Jack. Mas esse carinha aqui me chama de Jack, então tá valendo.
— O meu vocês já sabem. Sou o Alan. — Assenti. — Pronto. Agora tá formalizado.
Kim. Jack. Alan.
Depois de dois anos, a gente finalmente tinha nome um pro outro.
— Como essa é a última vez, eu vou deixar uma coisa clara.
Eu andei até o meio da laje. Tirei a corrente do pescoço e guardei no bolso.
— Todas as outras vezes eu briguei com vocês de brincadeira. Hoje não. Hoje eu vou enfrentar vocês como se a minha vida estivesse na mesa. Como se tudo o que eu construí dependesse dessa briga. Vou apostar tudo — cada gota de sangue que eu já sangrei, cada surra que eu levei pra chegar onde cheguei, cada coisa que doeu no caminho. Hoje vocês vão me ver de verdade. Como nunca viram.