A Banda do Kim e do Jack — Capítulo 2 — Quem Decide
Fica entre nós: quem decide as coisas na dupla nem sempre é quem parece.
A gente não tem uma banda. O Kim faz questão de deixar isso claro.
Isso aqui fica entre nós. Se vocês contarem pro Jack, eu nego tudo e acabo com vocês depois.
Na nossa dupla, quem decide o que a gente faz é o Jack.
Eu sei que não parece. Eu sou o racional. Eu tenho argumento pra tudo, explico pouco, gasto pouca palavra, e eu sou contra. Sempre. Não importa o que o Jack proponha, eu vou ser contra e vou argumentar contra. É automático. Se o Jack disser que o céu é azul, eu vou perguntar desde quando.
Só que o Jack é o Jack. Ele é emotivo. Ele é persuasivo. Ele fala, e fala, e fala, e no fim a gente sempre faz o que ele quer. Toda vez.
Ele não vence pelo argumento. Ele vence pelo cansaço. E pelo fato de que, no fundo, eu sei que ele nunca vai propor uma coisa que possa machucar a gente de verdade. Ele é imprudente com tudo, menos com isso.
E aqui está a parte que eu odeio admitir.
Não existe uma escolha que o Jack fez nessa vida que não levou a nossa irmandade pra um lugar melhor.
Toda vez que eu cedo e a gente faz o que o Jack quer, a gente ganha alguma coisa. Nem que seja só uma lembrança absurda pra rir depois. Mas sempre sobra alguma coisa boa. Todas as vezes.
Foi o Jack que insistiu pra gente tentar a bolsa da Elite Academy, e eu fui contra por uma semana inteira. Foi o Jack que arrastou a Nina pra dentro do grupo, e eu fui contra até depois de ela já estar dentro. Foi o Jack que me fez entrar no LDI (linha principal, cap. 3). Cada uma dessas coisas eu combati com todo argumento que eu tinha. E cada uma me levou pra um lugar melhor do que o de antes.
Se dependesse de mim, a gente estaria parado. Sentado num muro. Não fazendo nada, pra sempre.
Eu sou uma pedra que não se mexe. O Jack é uma força que empurra. E ele faz a pedra rolar.
Eu nunca vou dizer isso pra ele. O ego do cara já é grande demais. Se ele descobrir, vira insuportável.