Eu sou Nina — Capítulo 2 — A Menina Estragada
A Elizabeth morre e deixa o pai sozinho com uma criança de cinco anos que ele mal sabe segurar.
Nina foi rica, depois pobre de propósito, depois rica de novo. E nenhum dos meninos sabe.
Depois que a Elizabeth morreu, o meu pai ficou sozinho com uma criança de cinco anos que ele mal sabia como segurar.
E ele fez o que muito pai faz nessa situação. Errado.
Ele trabalhava fora quase o tempo todo. Consultoria — é como ele descreve, com uma pausa antes da palavra (é a mesma frase que eu uso anos depois, linha principal, cap. 9). A gente mudava de cidade toda hora, mas mudava sempre de uma casa boa pra outra casa boa. Piscina, jardineiro, uma mulher que cozinhava, um homem que dirigia.
E cada vez que ele voltava de viagem com culpa por ter ficado longe, ele voltava com um presente. Um brinquedo caro. Um passeio. Um "sim" pra qualquer coisa que eu pedisse.
Aos nove anos eu era um monstro pequeno.
Não vou suavizar. Eu era mimada, chata, e me achava melhor que todo mundo. Eu gritava com os funcionários do meu pai quando a comida demorava. Eu chorava quando não ganhava na hora. Eu tratava adulto como se adulto fosse serviço.
Eu não tinha maldade. Era pior — eu tinha certeza. Certeza de que o mundo era assim, de que eu estava no topo dele, e de que quem não me servia estava fazendo o trabalho errado.
O meu pai via tudo isso e não fazia nada.
Hoje eu entendo por quê. Naquela época eu só achava que era assim que funcionava.
Uma vez eu joguei um copo no chão de propósito porque o suco não era da fruta certa. A mulher da cozinha veio limpar. O meu pai estava na porta, olhando. Ele não falou nada comigo. Só ficou olhando o caco de vidro no chão com uma cara que eu não soube ler na hora.