Eu sou Nina — Capítulo 6 — A Conversa
Aos dezesseis, o pai chama a Nina pra conversar de verdade pela primeira vez.
Nina foi rica, depois pobre de propósito, depois rica de novo. E nenhum dos meninos sabe.
Eu estava com dezesseis anos quando o meu pai me chamou pra conversar de verdade.
A gente ia se mudar de novo — isso não era novidade. A novidade foi o resto.
— Eu tô cansado de viver assim, Nina.
Eu achei estranho. Ele nunca reclamava. Sete anos de casa apertada e ele nunca tinha dito uma frase dessas.
Ele respirou fundo e começou a contar uma coisa que eu esperava a vida inteira sem saber que esperava.
— Você não teve muito tempo com a sua mãe — ele falou. — Eu teria adorado que você tivesse. A Elizabeth era a mulher da minha vida. A coisa mais preciosa que eu já tive. Igual a ela, só você, nesse nível de comparação.
Ele contou como se conheceram. Ele não era rico naquela época. Era pobre, ele disse, "pobre de verdade, escolha ruim de namorado". Ele não sabe por que a Elizabeth escolheu ele. Mas escolheu.
— Ela acreditou em mim como ninguém nunca acreditou. Me empurrou como ninguém nunca empurrou. Ela era dura e gentil ao mesmo tempo, as duas coisas de uma vez, o tempo todo. Especial demais.
Eu nunca tinha visto o meu pai falar tanto de uma vez.
— O sonho dela sempre foi ter filho.
Ele parou aí um tempo.