Inocentes Até Que se Prove o Contrário — Capítulo 2 — O Convite
A maior festa do ano, um convite que não existe e um parça passa-fome.
O Freddy tem um olho roxo e muita raiva de dois caras. O Jack jura que eles não encostaram nele.
Eu sou muito popular no colégio. Isso é fato. Mas eu sinto que as pessoas ficam acanhadas de convidar a mim e ao meu parça pras reuniões sociais delas. Deve ser intimidação.
Então eu facilito. Sigo todo mundo nas redes, acompanho os vídeos e as fotos que anunciam os eventos, e dou às pessoas o privilégio da minha presença sem que elas precisem pedir.
O processo com o Kim é sempre o mesmo. Eu chamo, ele fala que não quer ir, eu digo "beleza, então a gente vai pra outro lugar". No fim a gente vai pra onde eu queria. Quem leu minha outra história já conhece essa dinâmica.
Na quinta, eu estava vendo umas fotos que um tal de Freddy vinha soltando. A maior festa do ano, segundo ele: bebida de alta qualidade, comida uma delícia e lindas moças no local. E eu, que estou sempre de ouvido atento nas conversas do corredor, percebi que todo mundo estava falando disso.
Decidi na hora. Eu e o meu parça íamos prestigiar esse evento com a nossa presença.
— Separa a agenda amanhã à noite. Tem rolê.
O Kim me olhou com aquela cara dele. É difícil definir: desinteresse e estranheza ao mesmo tempo. Eu nunca sei direito o que ele está sentindo.