As Correntes — Capítulo 8 — O Subsolo
Lá embaixo, o Jack espera as armas esvaziarem. Depois é a vez dele.
O Kim não gosta de contar história. Então o Jack conta junto.
JACK
Eu esperei.
Acendi um cigarro. Deixei as balas rolarem.
Subi uns degraus, pra fugir de ricochete, e fiquei num canto protegido, atrás de uma coluna. Fumando. Contando.
Até ouvir as armas esvaziarem. Clique. Clique. Clique.
Aí eu gemi alto.
— Ai, meu Deus… que porra… isso é sangue…
Atuação de novela das nove. Fingi que tinha tomado bala.
O primeiro caiu na conversa. Veio conferir, devagar, a arma vazia na mão.
Tomou uma bicuda no joelho que dobrou a perna pro lado errado.
Segurei ele pelo pescoço antes de ele cair e botei na frente do corpo. Escudo humano.
Os outros ficaram perdidos. Recarregar? Não recarregar? Atirar no próprio parceiro?
Enquanto eles pensavam, eu arremessei o escudo em cima de um deles.
E joguei o cano no que já tava virando a arma pra mim. Pegou no meio do estômago. O cara dobrou.
O terceiro também tava armado.
Abaixei só o suficiente. Dois tiros passaram por cima.
Girei, fiquei de costas pro cara e peguei o braço armado.
Torci a mão dele pro lado que mão dobra. Só que continuei. Continuei até a mão encostar no antebraço. E quebrou.
Não soltei.
Ainda de costas, puxei o cara pra perto, passei o braço por trás da cabeça dele e girei o corpo.
O cara deu uma volta de cento e oitenta graus no ar e caiu de costas no chão, na minha frente.
Nem olhei pra baixo. Olhando pro lado, pisei no peito dele.
Pisei de novo.
Até ouvir o estalo da costela.
Foi quando mais dois apareceram lá do fundo.
Os dois tinham mais cara de medo do que de briga.
O problema é que o Kim tinha deixado a regra bem clara lá em cima. Queriam brigar ou não, agora iam.
— Calma, mano, calma. Espera, espera…
Peguei um pelo pescoço.