As Correntes — Capítulo 12 — A Pantera
A Helena no canto do salão, o pó no ventilador, dinheiro em chamas — e o Kim de quatro.
O Kim não gosta de contar história. Então o Jack conta junto.
KIM
Quando eu entrei, só olhei em volta.
Procurando. Não queria saber de mais nada. Só ficar esperto com as armas.
E aí eu achei.
Num canto. Parecia apagada. Drogada.
A mulher de cabelo roxo.
A Helena.
E, mais uma vez, alguma coisa dentro de mim quebrou.
Não sei por quê. Mas eu senti uma felicidade enorme. Uma alegria que não cabia em mim, de ter achado a Helena no meio de tanto cara.
Era muita gente pra quebrar. Muita gente pra derrubar.
Mas, no começo, só tinha um alvo.
JACK
Assim que a gente entrou, eu soube que ia dar merda. Porque eu também vi a Helena.
Ela tava com cara de quem tinha tomado alguma coisa. A roupa dela tava mexida. Se ainda não tinham feito nada, iam fazer. Tava na cara o que ia acontecer ali.
Não deu tempo.
De quatro, o Kim investe duas vezes mais rápido. Passou por todo mundo e foi direto no que parecia ser o chefão.
O cara abriu a boca. Não deu pra entender se ele ia perguntar "quem é você" ou "que porra é essa".
O Kim pulou nele. O cara era maior, então ele abraçou no salto, prendendo os dois braços do cara.
E começou a dar cabeçada.
Uma. Outra. Outra. E ria.
O sorriso abria, o sangue descia, e o cara foi ajoelhando, tomando cabeçada.
Parecia que o Kim queria fazer mais alguma coisa com ele.
Mas os outros começaram a se armar. Deu pra ouvir as armas sendo destravadas.
Óbvio que o tiro começou.