Alan, o Campeão — Capítulo 5 — O Alto do Morro

No mesmo dia em que saiu, levaram Alan pro alto do Morro. A carreira começa.

Antes de ser Rei, ele foi bucha de canhão, preso e assassino. Aos treze, mandava em adultos.

Me levaram pro alto do Morro no mesmo dia em que eu saí.

Foram três horas de subida. Primeiro de carro, até onde o carro passa. Depois de moto, até onde a moto passa. Depois a pé, por uma escadaria de cimento que muda de forma a cada laje nova que alguém constrói em cima.

Lá em cima é outro mundo. De um lado da laje, Marelia inteira — a parte de baixo, o asfalto, os prédios, os carros parados no trânsito das seis. Do outro lado, uma porta de aço com dois caras que já sabiam meu nome antes de eu falar.

É ali que fica a cúpula. Quatro ou cinco pessoas que a rua nunca vê e nunca vai ver. Elas não andam armadas. Não precisam. Cada uma delas tem um bairro que anda armado por ela.


O mais velho me apertou a mão.

— O plano dos três anos foi bom. — Ele falou devagar, medindo. — O reformatório virou celeiro de mão de obra por causa de um moleque. Isso não acontece por acaso.

Eu tinha dez anos e um homem de sessenta me tratando por igual. Guardei a sensação. Ela é útil — te lembra que respeito não tem a ver com idade, tem a ver com resultado.

Aí eu abri o caderno.


O plano era simples. Todo plano que presta é simples; os complicados são feitos por gente tentando parecer inteligente numa sala.

A Banca sempre pensou em território como parede. Ou é meu, ou é do vizinho. Eu mostrei que território é costura. Todo bairro tem uma borda onde o controle é fraco — uma rua que ninguém quer, um beco que dá nos dois lados, uma boca que não rende o suficiente pra ninguém brigar por ela.

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