As Correntes — Capítulo 6 — Nós Dois de Pé

Uma promessa entre irmãos antes da briga: no final, só os dois de pé.

O Kim não gosta de contar história. Então o Jack conta junto.

— E aí, Kim? — o Jack falou baixo. — Quanto tu acha que tem aqui?

— Contei dezoito. Mas tem dois andares pra cima. Deve ter muito mais.

— E tem uma entrada pra um subsolo ali no canto. Deu pra ver.

— Então tem uma bela de uma galera. Os cinquenta que eu chutei lá fora são o mínimo.

O Jack me olhou com aquela cara de puta que parola, Kim.

— O que que a gente arrumou dessa vez, hein?

Eu não respondi.


— Tu vai ficar me devendo, cara.

— Jack, tu sabe. Se precisar, eu morro por você.

— Não. Morto você não vale nada pra mim. Você vai é viver por mim, caralho. Você vai me dever a tua vida.

Eu sorri pra ele. Um sorriso sincero. Não é coisa que eu faço muito.

— Ok. Muito obrigado por estar aqui comigo, cara.

— Que obrigado o quê, caralho. Você não tem que agradecer porra nenhuma. A gente é irmão. Se eu não tô aqui, eu tô errado. O meu lugar é do teu lado. Se for pra morrer, a gente morre junto.

Eu sorri de novo. Torci os pulsos. Estalei o pescoço.


O Jack viu e ficou sério.

— Mano, sério. Eu não vou brincar, não. Vou sério desde o começo. Você tem algum problema desses caras irem pro hospital? De a coisa ficar sem volta pra algum deles?

Olhei bem pra ele.

— Eu falei bem claro lá fora. Se a gente entrasse, no final só ia ficar nós dois de pé. Essa é a lei. Ninguém mais fica de pé nessa porra. Só nós dois. E acabou.

JACK

Reparem, ele tinha falado lá fora que só ele ia ficar de pé, mas tudo bem prossiga.

Crie sua conta grátis pra ler o resto deste capítulo.

English · Español