As Correntes — Capítulo 5 — O Bar

A porta vem abaixo. Lá dentro: um bar, um bordel, um cassino — e dezoito homens de pé.

O Kim não gosta de contar história. Então o Jack conta junto.

Olhei pra um lado. Olhei pro outro.

Tinha mais três rindo com ele.

Coloquei a mão no bolso devagar. Enfiei um dedo de cada vez na soqueira.

O cara era grande. Eu não podia perder tempo. Eram muitos homens, todos bem formados, e ia ficar feio muito rápido. Quem bate primeiro escolhe como a briga começa.


Olhei pro Jack. Nem virei o rosto pro grandão.

— Sabe qual é a única regra da briga de rua?

O Jack já sabia a resposta. O grandão, não.

— Não há regras.

Ainda olhando pro Jack, pisei no pé do grandão com o calcanhar, com todo o meu peso. Não precisei olhar pra saber onde o pé dele tava.

Ele gritou. No grito, o queixo sobe. Puxei a cotovelada, e ele foi pra trás.


O segundo veio rodando uma corrente na minha direção.

Nem precisei olhar. O Jack girou o cano e meteu na boca dele.

O terceiro já tava em cima. Tirei a mão do bolso com a soqueira e fui direto na garganta.

Deu pra ver o ar sumindo. Os olhos esbugalharam. Ele foi ficando roxo e caiu de joelhos.

Passei por ele enquanto ele caía.


Não precisei abrir a porta.

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