As Correntes — Capítulo 4 — A Porta

O porteiro, a dívida da Helena e o aviso que ninguém levou a sério.

O Kim não gosta de contar história. Então o Jack conta junto.

O Jack olhou pro clube. Depois olhou pra mim.

— Então beleza. Tô contigo. Pro que der e vier.

Eu sabia que podia contar com ele. Sempre soube. É uma ligação que não precisa de explicação.


A gente foi até a porta.

O clube normalmente ficava aberto. A turma bebia do lado de fora, fazia show com as motos, barulho a noite inteira.

Naquela noite, não. Porta fechada. Ninguém na calçada.

Tinha um cara na porta. Grande.

— Não, mano. Menor não entra. Aqui o bagulho é pesado. Volta quando sair das fraldas.

— Firmeza, irmão. Só quero falar com a mulher de cabelo roxo.

— E por que tu quer falar com ela?

— Não te interessa. O que te interessa é que tu vai trazer ela aqui.


Ele não se mexeu.

— Hoje a gente tá fechado pra atividade exclusiva. Tu volta outro dia. Relaxa que eu aviso a mulher de cabelo roxo que tu passou.

— Não, irmão. Tu não entendeu.

Falei sério. Bem sério.

— É o seguinte. Ou tu entra agora e traz a mulher de cabelo roxo até aqui, ou eu entro. E quando eu terminar, a única pessoa de pé lá dentro vai ser eu.

Ele riu.

O Jack me olhou. Ele sabia que eu não tava brincando.


JACK

Foi aí que eu me meti. Alguém tinha que tentar a diplomacia.

KIM

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